Missões no Sertão: Um paciente na UTI!

Atualizado: 17 de mar. de 2020

Alguns evangélicos, líderes, pastores e igrejas talvez nunca conhecerão a realidade do Nordeste Brasileiro, isto é fato. Aponto 2 razões para isto:

  1. Talvez por eles conhecerem os inúmeros desafios da áfrica brasileira, ou;

  2. por total desconhecimento da necessidade.


Prefiro pensar que seja pela opção 2 do que atribuir o pensamento de que suas igrejas estão mais preocupadas em trocar seus bancos e colocar ar-condicionado do que em salvar as vidas que perecem todos os dias sem Cristo. Obviamente que não sou contra investir em bancos novos e ar-condicionado. Sou contra a "inércia de visão" que paralisa a igreja e compromete o propósito para que a igreja foi criada por Cristo, afinal pessoas são mais importantes. "Uma vida vale mais que o mundo todo!" (Mc 8:36-37). O maior investimento que podemos fazer é na salvação de vidas. O investimento na obra missionária é um investimento de consequências eternas.


Muitos ainda me perguntam: "Porque se investir no Nordeste se existe junta de missões, várias missões independentes, projetos isolados e tantas iniciativas que vemos nas redes sociais? A questão é simples e complexa!


Vou responder primeiro a "SIMPLES", os números demonstram que o nordeste é o maior desafio da igreja no Brasil. Considerando todos os esforços na sua totalidade os desafios ainda são enormes. Em se falando de missões, o nordeste hoje é comparado a um paciente na UTI e só entra nesta obra quem tem o olhar de compaixão de Jesus. (Mc 8:2).


A realidade do Brasil segundo dados do Censo Demográfico de 2010 divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o número de evangélicos no Brasil aumentou 61,45% em 10 anos. Em 2000, cerca de 26,2 milhões se disseram evangélicos, ou 15,4% da população. Em 2010, eles passaram a ser 42,3 milhões, ou 22,2% dos brasileiros. Em 1991, o percentual de evangélicos era de 9% e, em 1980, de 6,6%. Mesmo com o crescimento de evangélicos, o país ainda segue com maioria católica.


Em comparação a outros estados o Nordeste ainda mantém o maior percentual de católicos, com 72,2%.


A Região Nordeste está muito atrás do restante do Brasil em termos de presença evangélica. A média de presença evangélica dentre a população em todas as regiões do país é de 15,41%. No Nordeste, essa média cai para 10,26%. Enquanto que 12 estados brasileiros apresentam taxas acima de 20%, o Nordeste não há nenhum estado com mais de 15% de evangélicos em sua população. E pior. Em 6 estados nordestinos a população de Evangélicos está abaixo de 10%: Alagoas, Ceará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Desses seis estados, Paraíba é o que possui a maior concentração de cidades com menos de 5% de evangélicos, eis um dos motivos que a Missão Geração Esperança está plantando mais uma igreja em São José do Sabugi-PB, onde a presença evangélica é mínima ou inexistente. Alagoas fica com o lamentável índice de estado com a maior concentração de cidades com menos de 1% de evangélicos. Já o estado do Piauí é o que possui a população com o mais baixo percentual de evangélicos do país. Os número falam por si só, ou seja não precisa de legenda,


As questões mais complexas trazem a tona um despreparo e estratégias equivocadas daqueles que estão investindo.

Eu nasci no Nordeste e acompanho especificamente o avanço da obra missionária há cerca de 16 anos.

  1. Existe estratégias cópias de desbravadores - "Os mesmos caminhos só te levam aos mesmos lugares. Muitos seguiram o mesmo caminho e continuam seguindo, é mais fácil seguir por uma picada já aberta mesmo te levando à mesma direção e resultados conhecidos do que se propor a fazer uma nova picada para região totalmente inexplorada. ("Picada é um caminho na mata fechada aberto por foice ou facão"). Para se chegar a um destino novo é preciso pensar fora da caixa. Nossas iniciativas nos levam a mais do mesmo. Por exemplo, o estado mais evangelizado do Nordeste é Pernambuco. Muito se investiu e se investe até hoje em detrimento dos outros estados, pois quem vem depois surfa na mesma "onda". Surfar em novos mares é preciso quando se quer alcançar o todo.

  2. Falta de visão e estratégia de onde realmente plantar igrejas - É preciso chegar ao mais necessitado, mas a base de tudo isto precisa ser revista. Em uma estratégia militar, ninguém monta uma base para logística e suprimentos com dificuldade de acesso e instalações. As igreja precisam ser como videiras plantadas em terra fértil para através dos seus ramos darem frutos e multiplicarem e proverem os suprimentos. Muitas igrejas plantadas no nordeste não conseguem se auto-sustentar e nem auto-gerenciar.

  3. Visão unificada e recursos mal investidos - Precisamos pensar mais em Reino de Deus e menos em "Eu ministério". Muitos projetos na mesma região consolidando recursos de uma mesma denominação sem contudo existir uma visão e estratégia unificada do objetivo. Por que não me unir àqueles que já estão no campo?

  4. Falhas de gestão - A ânsia por fazer sem um planejamento levando a nenhum resultado ou até mesmo sem medir os resultados, sem acompanhar e cuidar de quem está em campo. Quem está na retaguarda precisa aprimorar seus conhecimentos como líder e gestor de recursos e vidas. Pedir sabedoria dos céus, mas também fazer a sua parte. Muitas iniciativas são frustradas pela falta ou ineficiência de gestão no seu sentido mais amplo.

  5. Investimento em treinamento e um currículo diferenciado para o obreiro sertanejo - Ninguém conhece tão bem o sertão como o próprio sertanejo. Formar lideranças locais através de currículos próprios é essencial para continuidade do trabalho e as ramificações da igreja multiplicadora. Centros de treinamentos de líderes e obreiros, passando uma visão espiritual, que os ensine a pescar homens (Mateus 4:19; Marcos 1:17), mas também fortaleça e construa sua cosmovisão de como ganhar o pão de cada dia, para que o mesmo se estabeleça de maneira digna sem depender com um tempo de nenhum subsídio, seja governamental, de missão, de junta ou qualquer instituição. Um discípulo que consiga seguir seu caminho, com o acompanhamento das videiras (igrejas).


Seja um parceiro da MGE e atenda o clamor dos esquecidos! A resposta para este paciente que se encontra na UTI é a igreja do Senhor Jesus. Entre em contato conosco e junte-se a nós!


Pr. Joás Andrade

Presidente da MGE













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